18/02/2007

Polêmica

Imprensa, torcida e clubes: uma relação tempestuosa

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Um episódio ocorrido no último dia 09 reacendeu publicamente os costumeiros conflitos entre torcedores, clubes de futebol e a imprensa. Márcio Alemão, então zagueiro do Treze, conhecido por seu temperamento explosivo, agrediu verbalmente jornalistas e radialistas, no encerramento de um treino no estádio Presidente Vargas. Segundo os presentes, usando palavrões, Márcio teria atacado: “Só porque o Treze está em crise essa imprensa b... está aqui no campo”.

Mesmo antes do episódio, desde que o Galo da Borborema começou a cair na tabela, Alemão já vinha alfinetando a imprensa. Na partida em que o time foi derrotado pelo arqui-rival Campinense, por 1 a 0, ao ser perguntado pelo jornalista Carlos Magno se o gol acontecera em uma falha da defesa, o jogador atacou: “Foi mérito do ataque do Campinense, vocês têm que olhar o jogo direito! Mania de ficar só encontrando defeitos”.

No dia seguinte às agressões no estádio Presidente Vargas, a ACI – Associação Campinense de Imprensa – divulgou nota de repúdio, exigindo imediata retratação por parte do atleta: “A ACI, por sua diretoria, repudia e protesta contra as declarações desrespeitosas do jogador Márcio Alemão, do Treze Futebol Clube, contra os repórteres esportivos que cobrem o dia-a-dia daquela equipe, que atingiram, por extensão, toda Imprensa de Campina Grande”, dizia, ainda, trecho da nota, assinada pelo presidente da associação, Fernando Soares dos Santos. Como era de se esperar, não houve retratação alguma.

Torcida x imprensa

Já no último dia 14, ao comentar, em artigo publicado no portal Agora Esportes, o acontecimento, foi a vez de Leonardo Alves, respeitado jornalista e professor universitário, ser alvo de apaixonados ataques de alguns torcedores. Em seu blog, Esportes na Rede, Leonardo recebeu acusações – também extensivas a toda a imprensa – de que a categoria “está realmente interferindo muito no trabalho sério desenvolvido por este grupo que comanda o Galo da Borborema”. Outro torcedor atacou: “É interessante testemunhar o abuso de poder, poder ilegítimo, do corporativismo da imprensa campinense, que em sua maioria é parcial”. E acrescentou: “Fica claro o conteúdo jocoso e maldoso desse ‘jornalista’”.

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Percebendo que o tom virulento de parte desses comentários deve-se à exacerbada paixão de torcedor, Leonardo Alves limitou-se a esclarecer alguns pontos, sem deixar-se envolver numa discussão nesses termos.

Quem também vem recebendo acusações de torcedores é o comentarista da TV Correio, Adenilson Maia, o Professor União. Segundo a torcida dos times de Campina Grande e outros clubes do interior, em transmissões de partidas do Botafogo, Maia é mais que parcial, chega a ser passional. Em artigo publicado no Agora Esportes, o torcedor do Campinense, Ivany Barros Lucena Júnior diz, referindo-se ao professor União sem citar seu nome, que “quando o Botinha está jogando, ele fica com o coração na mão”.

Na transmissão do jogo Botafogo e Campinense, Adenilson Maia deixou escapar duas falas que incentivaram as acusações de parcialidade. Na primeira, o comentarista, apontando a pouca eficiência do Botafogo na partida, e afirmando que o time só não se complicava mais porque a Raposa parecia acomodada com o empate, concluiu com um aliviado “ainda bem!”. Em seguida, criticando o fato do técnico botafoguense, Washington Lobo, ter trazido jogadores com quem trabalhara no Nacional de Patos, soltou: “Washington tem que entender que João Pessoa é uma cidade com 800 mil habitantes”. Adenilson Maia não comentou as acusações de torcedores, mas, o blog Jornalismo Paraibano tentará ouvir o jornalista nos próximos dias.

Parcialidade e paixão

A verdade é que a prática de torcer pelos clubes locais é mais que normal no rádio. Aliás, são rotineiros os casos de rádio-repórteres de campo que vibram no momento do gol do clube de sua cidade. Nessas circunstâncias, a imprensa se confunde com a torcida, e a informação, como não poderia ser diferente, acaba sendo produzida com emocionalismo e parcialidade. A paixão é tão forte que não faltam nem os xingamentos aos árbitros. Na partida em que o Campinense foi derrotado pelo Esporte de Patos, ante os freqüentes erros do árbitro Kelson Falcão, rádio-repórteres, narradores e comentaristas de algumas emissoras campinenses soltaram o verbo, taxando Falcão com termos como palhaço, ladrão e até safado.

Práticas como essa, comuns não apenas na Paraíba, precisam ser revistas com urgência, não podendo continuar sendo admitidas pela nossa imprensa. Acusações, tanto de clubes quanto de torcedores, são normais e, como mostra o episódio envolvendo os repórteres ofendidos pelo jogador Márcio Alemão, bem como o caso dos ataques ao artigo do jornalista Leonardo Alves, quando a imprensa trabalha com ética e seriedade, os fatos e o tempo tratam de responder: Alemão, por falar muito e jogar pouco, acabou sendo um dos dispensados pelo Treze, cujas deficiências (apontadas no artigo de Alves) culminaram na não classificação do time para as finais do 1° turno do Campeonato Paraibano.

7 comentários:

Léo Alves disse...

Nildo obrigado pelo apoio. Como esclareci no meu blog o tempo se encarregou de mostrar quem estava com a razão. Sempre procuro trabalhar com a verdade e ele aparece na hora certa para calar a boca de muitos. Perceba que depois dos acontecimentos nenhum torcedor que me acusou apareceu para reconhecer que eu estava certo. Não me preocupa. Como também não me preocupa as agressões verbais feitas de forma descabida, limitada, sem fundamentação e carregada de paixão e de complexo de perseguição, que acha que a imprensa sempre trabalha para prejudicar os clubes. Mesmo sendo um blog pessoal procuro trabalhar com a verdade, pois estou excercendo minha profissão. E umas das coisas que aprendi é que ela deve ser pautada pela verdade. Como disse lá, a verdade sempre dói. O grande problema é que muitos exigem imparcialidade, mas quando somos imparciais todos acham ruim. Querem uma imparcialidade apenas para falar bem. E isso Nildo, você me conhece, não sigo esse caminho.

Anônimo disse...

MEUS PARABENS LEO! COMO NÃO PODERIA SER DIFERENTE,VOCÊ MAIS UMA VEZ ,AGIU COM CORAGEM,ISENCAO E PROFISSIONALISMO. É UMA PENA QUE NOSSA CIDADE, EMBORA COM CARA DE METROPOLE(QUE EU AMO,POR SINAL) AINDA TENHA GENTE COM PENSAMENTO PROVINCIANO E MESQUINHO. ENQUANTO TIVERMOS DIRIGENTES E ALGUNS TORCEDORES COM ESSA MENTALIDADE PEQUENA, ACHANDO QUE A IMPRENSA NÃO PODE FAZER CRÍTICAS, TEREMOS SEMPRE UM FUTEBOL DE TERCEIRA...A VOCE, LEONARDO E A VOCE LENILDO FICA O RECONHECIMENTO DOS QUE FAZEM JORNALISMO DE VERDADE SEM MEDO DE FAZER AS CRITICAS CERTAS A ALGUNS "INSANOS". ESSES, SIM ,DESRESPEITAM E DEPREDAM FILOSOFICAMENTE, OS MAIORES PATRIMONIOS DA TORCIDA PARAIBANA: TREZE E CAMPINENSE. E AINDA TEM GENTE ACHANDO QUE IMPRENSA FAZ GOL OU MANDA NA ARBITRAGEM.É BRINCADEIRA,HEIN!!!

Anônimo disse...

quremos o sinal da tv paraiba e tv tambau em uirauna aqui só pega a tv correio

Anônimo disse...

a população de uirauna querem o sinal da tv paraiba e tv tambau aqui só pega o sinal da tv correio gostaria do pessoal do blog se algum plano das duas emissoras colocar o sinal aqui em uirauna aguardo resposta no blog obrigado

Anônimo disse...

a população de uirauna querem o sinal da tv paraiba e tv tambau aqui só pega osinal da tv correio gostaria do pessoal do blog se algum plano das duas emissoras colocar o sinal aqui em uirauna aguardo resposta no blog obrigado

Patrick Gleber disse...

Brincadeira essa história.

Lenildo Ferreira disse...

Ao pessoal de Uirauna

Estamos repassando seu pedido de informação ao pessoal das TVs, para que possam respondê-los o mais breve possível. Abraços

Lenildo Ferreira