25/01/2007

Radialistas x Jornalistas: lambança

Confusão: Fenaj anuncia acordo,mas Fitert desmente e pede retificação da matéria

A Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj – publicou em seu sítio, no último dia 15, matéria dando conta de que havia sido celebrado um acordo entre a entidade e a Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão – Fitert – que representa o interesse dos radialistas naquilo que tem sido chamado de conflito de atribuições.
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Conforme a notícia, as duas federações chegaram ao acordo após cinco rodadas de negociação, definindo as funções que receberiam regulamentação de jornalista: assessor de imprensa, editor, subeditor, pauteiro e professor de Jornalismo. Além disso, informa que não teria se obtido consenso quanto às atividades de locutor-entrevistador (repórter), produtor, repórter cinematográfico e locutor comentarista esportivo. A matéria acrescenta ainda fala do presidente da Fenaj, que teria considerado o resultado das negociações bastante razoável: “Este acordo não é a solução final para os conflitos de atribuições, mas fundamentalmente possibilitou a construção de uma nova relação entre as duas entidades, que deve ter seqüência”, comentou Sérgio no portal.
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Era hora, então, de ambas as categorias analisarem os resultados do acordo firmado. Mas, em nota divulgada aos seus associados no último dia 24, e enviada ao blog Jornalismo Paraibano, a Fitert simplesmente desmente tudo, e afirma que não existe ainda acordo nenhum. Diz a nota que “a precipitação por parte da FENAJ em declarar que já existe um acordo fechado não procede. As negociações têm avançado, é verdade, mas o texto final ainda não condiz com os ideais dos radialistas”. E acrescenta que, na verdade, a comissão da Fitert havia mesmo chegado a pedir recesso nas negociações, a fim de poder discutir o assunto em suas bases, de modo que a instituição não compreende a atitude da Fenaj.
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A Fitert diz, ainda, que a publicação da notícia causou constrangimento à Federação ante os sindicatos estaduais dos radialistas que lhe são filiados, e conclui: “Cabe agora aos jornalistas retificar sua nota para não causar uma falsa impressão para a categoria que representam e também para tranqüilizar os sindicatos dos radialistas filiados à FITERT, pois ficou uma falsa imagem de que a comissão dos radialistas indicada para estas negociações omitiu informação e, de forma antidemocrática e sem respeito as suas instâncias, fechou acordo sem consultar as suas bases”.
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A Federação Nacional dos Jornalistas ainda não se manifestou sobre o desmentido, e a notícia dando conta do suposto acordo ainda está, até o fechamento desta matéria, na primeira página do portal da instituição. Mais um episódio patético na luta sem fim entre as categorias.
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LeNildo Ferreira

16/01/2007

Radialistas x Jornalistas

Representantes nacionais comentam divergências entre categorias

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Buscando ampliar as discussões sobre as divergências entre radialistas e jornalistas, o blog Jornalismo Paraibano manteve contato com as direções da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão – Fitert – e da Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj - , a quem foram enviados os seguintes questionamentos: 1) Por que radialistas exercem, ainda, funções na televisão? A Legislação que permite essa realidade já não se encontra obsoleta? 2) Esse “avanço” dos radialistas na TV, não acaba, logicamente, por prejudicar a classe dos jornalistas? 3) O processo de formação do radialistas apresenta-se de modo solto, pouco eficiente. Com a permissividade da legislação vigente, pessoas recebem o direito à obtenção do DRT de radialista em “cursos de qualificação” de uma tarde, bastando para isso apenas pagar a gorda taxa de inscrição. Esse sistema não finda por lançar no mercado do rádio e da TV, inevitavelmente, profissionais totalmente despreparados?
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Eis as respostas:
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Ednalva Moura – Fitert

A vice-coordenadora da Fitert, Ednalva Moura, que também é presidente do Sindicato dos Radialistas e Publicitários do Rio Grande do Norte, preferiu fazer uma longa descrissão da legislação ainda vigente, bem como atacar a Fenaj, que, segundo ela, teria tentado “usurpar funções dos radialistas”, e também alfinetar as questões levantadas pelo blog. Abaixo segue a íntegra das respostas da vice-coordenadora, sendo mantidas, inclusive, as várias incorreções gramaticais perceptíveis:

“Em resposta ao seu e-mail, digo-lhe o seguinte: Primeiro, acho que você desconhece a Lei do Radialista, (Lei 6.615/1978), Decreto nº 84.134/1979, Art. 2º- Considera-se Radialista o empregado de empresa de radiodifusão aquele que exerça função estabelecida no anexo deste Regulamento.
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"Art. 3º - Considera-se empresa de radiodifusão, para os efeitos deste regulamento, aquela que explora serviços de transmissão de programas e mensagens, destinada a ser recebida livre e gratuitamente pelo público em geral, compreendendo à radiodifusão sonora(rádio) e radiodifusão de sons e imagens(televisão), isto significa que, o Radialista tanto poderá atuar no rádio quanto na televisão, até porque, é do nosso conhecimento de que vários jornalistas após terminar suas faculdades, veêm para dentro do rádio e da TV aprender com os radialistas , nossa lei que queiram ou não ela permanece em vigor, inclusive, a FENAJ é quem estava querendo usurpar funções dos radialistas para a lei deles, conforme o PL nº 079/2004, mas que graças a Deus todos os radialistas enganjados com a nossa federação, vencemos esta luta e o presidente Lula não sancionou este PL, pois o mesmo já estava para ser sancionado, só faltava o Presidente sancionar, e graças a Deus isto não ocorreu.
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"Ao contrário do que você me pergunta se o avanço dos radialistas na TV não acaba por prejudicar a classe dos jornalistas lhe respondo: que os jornalistas é quem querem exclusividade na TV, e isto não pode, porque o radialista como já falei ,tanto pode atuar nos veículos Rádio e Televisão.
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"Em relação ao que você comenta sobre o direito à obtenção do Registro Profissional de Radialista, não posso lhe responder por que existem esses tais cursos de qualificação realizados em uma tarde como você menciona, só posso lhe dizer o seguinte, que aqui no nosso Sindicato dos Radialistas e Publicitários do RN, não existem esses cursos fantasmas, e sim, cursos de qualificação e profissionalizante com duração de 4 meses, e não de uma tarde, e com critérios conforme a lei, a exigência do certificado do 2º grau completo, pois achamos que o radialista ele é formador de opinião, e não pode está usando microfones para falar bobagens, tem que ter respeito com os seus ouvintes e telespectadores,inclusive, estamos realizando um curso de rádio e TV aqui em Natal, dentro de uma emissora de rádio que já é o próprio laboratório, e com professores formados em Universidades Federais, inclusive alunos que estão realizando o nosso curso que são engenheiros, radiodifusores, vereadores, jornalistas, psicólogos e professores, um abraço, e não esquecendo, procure conhecer melhor a nossa LEI".
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Fred Ghedini - FENAJ
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Fred Ghedini, primeiro vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, atualmente licenciado por estar na Cidade do Cabo, África do Sul, comentou, por e-mail, aquilo que chama de "sombreamento" entre as regulamentações. Ghedini, ao contrário do tom virulento dos representantes da Fitert, apresenta um discurso moderado, apontando o diálogo e a concililiação como melhores caminhos para solução das divergências. Segue, a baixo, seu comentário na íntegra:
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" A luta dos jornalistas por ter uma regulamentação que dê respaldo a uma atuação autônoma e ética é antiga. Já em 1918, quando da realização do primeiro Congresso Nacional dos Jornalistas, no Rio de Janeiro, figurava como reivindicação da categoria a criação dos cursos de jornalismo nas universidades.
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"O que está na base de todas as formulações que sempre fizemos é que o trabalho com a notícia e com todo o material que tenha cunho jornalístico deve ser de responsabilidade do jornalista profissional, devidamente formado. No que diz respeito ao trabalho noticioso, o papel do radialista é o papel do técnico, seja no rádio ou na TV. E isso faz sentido porque o jornalista recebe uma formação técnica, profissional e deontológica (trata da ética profissional) que devem habilitá-lo para decidir sobre os conteúdos.
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"Essa é a formulação básica. O restante são conseqüências dessa formulação, ou seja, escrever na forma da lei a descrição das funções. Nossa legislação profissional, por mais problemas que tenha, é excelente no essencial, pois descreve o fazer jornalístico, independentemente do veículo que serve de suporte à divulgação do resultado do trabalho jornalístico. Se você partir disso, que é o básico, fica fácil desmontar as armadilhas que visam turvar a analise, transformando a questão em uma disputa sindical, ou coisa que o valha. Quanto aos colegas radialistas, estamos negociando com eles uma saída para o sombreamento existente entre as duas regulamentações. Espero que consigamos chegar a um acordo, o que será melhor para ambas as partes, já que as divergências entre nós acabam beneficiando sobretudo o patronato, que evidentemente sempre quer pagar menos pelo trabalho, seja dos jornalistas, seja dos radialistas".
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NOTA: O Sindicato dos Radialistas da Paraíba NÃO é filiado à Fitert.
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LeNildo Ferreira

04/01/2007

Radialistas x Jornalistas

Sindicato prepara nova remessa de radialistas formados em curso de um dia
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Terminou em dezembro o prazo para inscrição no curso de formação de radialistas do sindicato estadual da categoria. Pagando R$ 300, e gastando uma tarde, os inscritos terão direito ao DRT de radialista, estando, assim, aptos a exercer funções não apenas no rádio, como também na televisão, já que a famigerada Lei Nº6615, de 1978, permite que esses profissionais exerçam variadas atividades na TV.

Tais prerrogativas acabam por provocar acaloradas discussões, e pôr mais lenha na fogueira da briga entre radialistas e jornalistas. Estes reclamam da perda de espaço para profissionais formados em cursos de fim de semana, de capacidade questionável, mas atraentes ao mercado por apresentarem-se como mão-de-obra mais barata. Para o jornalista Ribamildo Bezerra, essa é uma realidade imoral, em que limites precisam ser definidos: “É preciso deixar claro para os profissionais que se formam em jornalismo e em radialismo qual a fronteira que divide uma coisa e outra. Pois o que vejo é o nome da Imprensa sendo usado impunemente por alguns que só querem se locupletar do status do Jornalismo, quando na verdade possuem um registro que, em tese, limitaria seu grau de atuação”, pondera.

Mas, para o coordenador da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão (Fitert), o paraense Antônio Carlos de Jesus Santos, segundo entrevista por e-mail concedida ao blog Jornalismo Paraibano, os jornalistas não podem sentir-se prejudicados, já que os radialistas foram os pioneiros da televisão. E conclui: “Quanto a prejudicar a categoria de jornalistas, discordo totalmente dessa afirmativa, nem a discuto, acho que não vale a pena”.
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Já quando perguntado sobre a formação deficiente e superficial do radialista, Antônio Carlos alega que a instituição está vigilante, e aproveita para alfinetar os cursos de Jornalismo: “Quanto ao processo de formação que você critica pela superficialidade, assim como condeno os cursos graciosos de Jornalismo, e têm muitos pelo Brasil a fora, condeno os de radialistas sem consistência, e até denunciamos os que servem apenas para servir para obtenção de registro profissional, como fizemos em Itabuna, o que causou a ocupação da Policia Federal naquele município”, diz.

Procurados para se manifestar sobre o assunto, os dirigentes do Sindicato dos Radialistas da Paraíba, com sede em João Pessoa, bem como a delegacia do órgão em Campina Grande, como já era de se esperar, não responderam quaisquer contatos, apesar da várias tentativas por e-mail e fax, a fim de explicar a farra do DRT pague e pegue na Paraíba.
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LeNildo Ferreira

02/12/2006

Entrevista: Luiz Barbosa Aguiar

"A gente não vive liberdade de imprensa coisa nenhuma"
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Luíz Barbosa Aguiar, jovial do alto dos seus 61 anos, é uma figura emblemática do Jornalismo Paraibano. Filho de uma professora primária e um pequeno negociante de gado, é do tempo em que apenas os filhos dos ricos podiam dedicar-se a um estudo que fosse além da alfabetização. Foi seminarista salesiano e, por pouco, não se tornou um padre. “Hoje, talvez eu já fosse cardeal”, sorri. Mas, por um anúncio no Diário da Borborema , descobriu a paixão pelo Jornalismo. E já são décadas de boas histórias para contar. Mas, o professor Aguiar, figura respeitada e querida da Faculdade de Comunicação Social da UEPB, onde é coordenador, não é daqueles que andam falando de si. Prefere as conversas amigáveis, as anedotas imprevisíveis e divertidas e o tratamento respeitoso para com alunos e professores, ambos gentilmente chamados de “colegas”. Talvez por isso muitos daqueles que convivem diariamente com ele, não saibam que estão ao lado de uma figura cuja história confunde-se com a própria trajetória do Jornalismo na Paraíba.
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Jornalismo Paraibano: O senhor é formado em Direito e Economia. Como foi parar, assim, no Jornalismo?

Em 1967, fui atraído por um anúncio no Diário da Borborema: “Precisa-se de repórter”. Eu era um curioso, gostava de rádio, de jornal, e me candidatei à vaga. Aí fui ser foca, auxiliando o repórter Fernando Valack, que foi quem implantou o jornalismo policial especializado em Campina. Naquele tempo, era assim, o jornalista era formado dentro da redação, começava como foca, cada profissional tinha um foca, que ia aprendendo com ele, até que estivesse apto a passar a escrever suas próprias matérias. Fiquei sendo foca até o dia em que Valack tomou uma cana grande e não pode fechar a página, e tive que fazê-lo. Foi esse o meu batismo, confesso que tremi nas bases.

JP: A Economia e o Direito são profissões que, naquela época principalmente, gozavam de maior prestígio e poderiam ter lhe trazido maior retorno financeiro. Que paixão foi essa que lhe prendeu ao Jornalismo?

Sempre digo que, apesar de hoje existirem as faculdades, Jornalismo é um dom, com o qual você já nasce. Na faculdade, a pessoa apenas aprimora, conhece as técnicas. Mas as faculdades não fazem jornalistas, porque o sujeito tem que nascer jornalista. Não me arrependo da escolha que fiz, e se estivesse começando hoje, faria tudo de novo, agora com a vantagem de ter uma escola para me ensinar algumas coisas que tive que aprender já no batente, no dia a dia.

JP: Como foi sua trajetória dentro do Diário da Borborema?

Quando me deparei com o fato de estar dentro do Diário, comprei um livro de Natalício Norberto, chamado Jornalismo sem mestre, e fui estudar o que era o jornalismo. Descobri-me dentro daquilo que eu gostaria de fazer da vida. Daí para a frente as coisas aconteceram gradativamente. Após três ou quatro meses como foca, passei a repórter, depois chefe de reportagem, o que já foi uma grande conquista, em seguida secretário de redação, editor, diretor comercial e, finalmente superintendente do Diário. Foi nesse tempo que ingressei na luta de classe, fui titular da delegacia do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba em Campina Grande, participei de congressos no Brasil inteiro, e até cheguei a ser preso em Alagoas, durante um desses congressos.

JP: De que modo aconteceu sua entrada na vida acadêmica?

Nós, que estávamos no batente, fomos beneficiados pela lei que regulamentou a atividade profissional de jornalista, em 1967, que determinava que aqueles que exercessem o Jornalismo até dois anos antes da promulgação da lei, seriam considerados profissionais, era o direito adquirido. Antes da regulamentação, o Jornalismo não era profissão, era um ofício, uma coisa quase romântica. Assim, uma vez regulamentados, nós mesmos começamos a sentir a necessidade de uma faculdade de Jornalismo aqui. E começamos reuniões para encetar essa idéia, dentro das próprias redações, onde jornalistas como Jusumar Viana, William Tejo e Ismael Marinho foram os grandes defensores da causa.

Conseguimos o que desejávamos, e um curso prático de Jornalismo, a primeira grande iniciativa para abertura de uma faculdade de Comunicação na região, começou dentro do Departamento de Filosofia da Furne. A universidade contratou professores de Natal e do Recife, que ministraram para aquelas pessoas que já atuavam na área. Tenho o prazer e o carinho de ter em casa o diploma, porque participei da primeira turma desse curso. Anos depois o curso de Comunicação Social estava estruturado e, como a Lei das Diretrizes e Bases da Educação permitia que profissionais lecionassem nas faculdades, os primeiros professores não eram catedráticos, até porque aqui mesmo não tinha, mas sim profissionais. Assim foi que entrei, para ministrar Legislação e Ética, já que eu também era formado em Direito.

JP: Estando há tanto tempo na vida acadêmica, como avalia a qualidade da formação que os jornalistas recebem nas faculdades paraibanas, UEPB, UFPB e FIP?

Se a gente for apontar, as deficiências são gritantes, por conta da própria evolução e da cobrança do mercado. Mas, mesmo assim, temos espalhados pelo Brasil inteiro profissionais gabaritados, que saíram daqui da Paraíba. Pessoas que já tinham o dom do Jornalismo, e que nas faculdades apenas aperfeiçoaram-se. É bem verdade que há outros que nem deveriam ter passado por aqui por perto, porque não tinham nada a ver com a coisa. Por isso, pode parecer paradoxal, mas defendo que deveria haver para a Comunicação uma pré-seleção, para coibir a entrada de tantas pessoas que entram no curso acidentalmente, apenas porque querem um diploma. Aliás, isso reporta àquela velha discussão da exigência do diploma, que habilita a pessoa, mas não qualifica; dá a habilitação legal, mas, só o fato de o sujeito ter um diploma de jornalista, não quer dizer que ele seja jornalista.

JP: Mas o senhor é a favor da exigência do diploma?
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Com certeza, porque ele habilita a pessoa. Assim como para ser motorista não basta saber dirigir, por melhor que se dirija, mas tem que possuir a habilitação de um órgão idôneo para isso, do mesmo modo é no Jornalismo. O cara sai por aí dizendo que é jornalista, mas quem o habilitou para isso?

JP: O senhor viveu dentro da redação os anos de repressão da ditadura militar. A gente sabe como era a repressão no País, mas, aqui na nossa região, essa realidade opressora era percebida no dia a dia das redações?

Com certeza. Nós vivíamos sempre em constante estado de tensão, vendo a hora a redação ser invadida por uma patrulha do exército e algum de nós levado para ser interrogado. Eu mesmo fui umas seis vezes ao quartel, por conta de tolices. Uma vez, por exemplo, prenderam aqui um ladrão de carros, chamado Charita, e na matéria que escrevi sobre esse sujeito, tinha uma passagem que informava que ele cultivava em casa alguns pés de maconha. Por causa disso fui levado ao quartel, e me disseram que não deveria ter dado essa informação porque estaria fomentando o uso e o cultivo de drogas por outros jovens.

Quando eu era gerente comercial do Diário, um cidadão colocou um aviso que queria vender uma espingarda, nesse tempo qualquer pessoa podia possuir uma espingarda em casa. Pois não é que um camarada aqui do exército entendeu que aquilo era um código para os comunistas se comunicarem? E, por causa disso, fui levado retido até que o homem do anúncio apareceu, um agricultor pobre, que queria vender a espingarda porque a mulher estava doente. Além disso, por exemplo, o nome do bispo de Campina Grande não podia ser veiculado no jornal, não podia se falar de dom Hélder Câmara. Marcos Tavares uma vez foi levado ao quartel porque ia haver um show de Chico Buarque e Marcos publicou isso, sendo que também era proibido falar de Chico Buarque. Freqüentemente recebíamos listas com nomes de pessoas que não podia ser noticiadas. Sempre havia um censor dentro da redação. Tinha um certo Major Câmara, de triste memória, que era uma verdadeira besta-fera aqui em Campina Grande.

JP: No contraponto desse quadro, hoje vivemos um estado democrático. Mas, na realidade paraibana, existe efetivamente liberdade de imprensa ou uma mera liberdade de empresa?

A gente não vive liberdade de imprensa coisa nenhuma. Temos aqui é uma pantomímica, um faz de conta que é, mas que não existe essa liberdade de imprensa. O que há é essa liberdade de empresa. Empresas essas que, aliás, não são dirigidas por empresários da comunicação, e sim empresários de outros ramos, que usam os meios de comunicação para interesses próprios, com honrosas exceções... se bem que nem sei quais são essas exceções que possa citar. Isso torna muito difícil a realidade do comunicador, por isso costumo dizer que o camarada, para ser jornalista, precisa ser muito mais ético que antigamente.

Se essa liberdade nunca existiu, hoje vejo que está pior ainda, porque a informação tornou-se exclusivamente uma mercadoria, direcionada conforme os interesses das empresas de comunicação, e do próprio poder estabelecido. Antigamente a interferência financeira dos governos era diminuta, menos mesmo que a venda avulsa, diferente de hoje. Veja-se o caso das rádios comunitárias, que estão nas mãos dos políticos, e que se não se deixarem ser um instrumento de manipulação, são fechadas. Eu sei que há essa liberdade constitucional, mas na prática, que liberdade é essa?

JP: Há uma expressão, atribuída como de sua autoria, que impregnou-se na memória daqueles que foram seus alunos: ética da barriga. O que é a ética da barriga?

Epicuro disse que a ética é uma questão pessoal, que você pode viver em um mundo anti-ético, e mesmo assim ser ético. A ética da barriga é o seguinte: nós, comunicadores, temos ideais éticos que são inerentes a nossa personalidade, entretanto, muitas vezes, no mercado de trabalho, nos deparamos com uma realidade contrária àquilo em que acreditamos, que fere nossa convicções. Mas temos que sobreviver, e por isso assinamos um contrato de trabalho com uma empresa que tem posições contrárias as nossas, e fazemos nosso trabalho seguindo a linha editorial dessa empresa, sem que isso fira minhas convicções. Afinal, somos profissionais, e temos que trabalhar para sobreviver.

JP: O senhor é daqueles que sonham com a aposentadoria ou pretende ficar como um decano da faculdade de Comunicação Social da UEPB?

Vou lhe dizer que pretendo resistir até o fim. Enquanto eu tiver energia e disposição para aprender – nunca digo ensinar, porque a gente aprende junto, num processo de simbiose que se dá em sala de aula – vou ficando por aqui, porque ainda há muita coisa para aprender.
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Lenildo Ferreira

11/11/2006

Para rir

CAUSOS DO JORNALISMO PARAIBANO


São coisas que acontecem. É, em alguns casos, inevitável. Mas, por ser na imprensa, ou seja, aos olhos e ouvidos de muita gente, algumas mancadas ampliam-se, tornam-se ainda mais hilárias. Os casos a baixo são flagrantes que eu, como espectador, presenciei. E dei boas gargalhadas. Se você já assistiu, ouviu ou leu um episódio como esses, é só contar nos comentários. Apesar de não ser algo que diminua ninguém, porque efetivamente acontece, a fim de não ferir a sempre abundante vaidade dos jornalistas, omitimos seus nomes, e pedimos que, se alguém for contar seus causos, também o faça. Lembrando: só valem casos aqui da Paraíba.

Você viu?

No ano passado um homem cometeu suicídio, atirando-se do alto do edifício Lucas. Certo radialista, apresentando ao vivo seu programa em uma rádio campinense, entrou em contato com outro radialista, que trabalha numa ONG no prédio, e indagou então:

- Já foi fornecida a identidade do suicida?
- Não, - responde o outro.
- Você sabe quais as características dele?
- Não. Não tive como saber.

Aqui, o radialista faz uma pergunta que embaraça o colega:
- Mas você não viu o corpo?
- Bem... o corpo... estava lá... exposto a quem quisesse ver, - retrucou, hesitante.

Não conformado com a evasiva, o apresentador insiste:
- Mas, enfim, você não viu com quais roupas ele estava?

Notavelmente constrangido, o colega responde, secamente:
- Não, eu não vi nada.

O motivo dele não ter visto: é deficiente visual. E o apresentador sabia disso. Mas a lambança não parou por aí. Um ouvinte, ciente desse fato, liga, e indaga:
- Como é que você queria que ele tivesse visto algo, se é cego?

Sem querer assumir a burrada, o radialista cometeu outra:
- Meu amigo, o pior cego é aquele que não quer ver.

E bateu o telefone na cara do ouvinte.

Aonde mesmo?

Durante a copa do mundo, certo telejornal convidou o jogador Marcelinho Paraíba, de passagem por Campina, para uma entrevista. Na introdução da primeira pergunta, o apresentador enrolou-se todo e saiu-se com essa:

- A copa do mundo da Alemanha, esse ano, é lá, na Alemanha...

Qual seria o máximo?

Essa aconteceu num radiojornal, esse ano. Após uma notícia policial, o jornalista e editor-chefe considerou:

Um crime desses, nos Estados Unidos, é punido com pena de morte. No mínimo!

Redundância

Novamente o rádio. Essa foi uma manchete policial.
“Cunhado tenta matar a irmã da própria mulher”.

19/10/2006

Entrevista: Gil Campos

"Eu faria tudo de novo e do mesmo jeito"

Aos 35 anos, o jornalista campinense Gil Campos tem um extenso currículo, com atuação desde a extinta Gazeta do Sertão, passando pelo Diário da Borborema, Jornal de Verdade – da rádio Caturité – e Jornal da Paraíba, apenas para citar os veículos mais conhecidos. Em 1995, chegou a ser indicado ao Prêmio Esso de Jornalismo, com a reportagem “Mata-se Jornalista... Paga-se Bem”. A partir de 1997, já em São Paulo, passa a atuar em vários jornais, como a Tribuna de Guarulhos. Mas não é, certamente, a vasta experiência o que mais se destaca na carreira de Gil Campos, e sim a grandeza de sua paixão incondicional pelo Jornalismo. Hoje, o jornalista vive em São Paulo, onde é editor de um jornal em Guarulhos e assessor de imprensa de um órgão público. Não por opção: precisou deixar Campina Grande “como se fosse um bandido, para não ser morto pela polícia”, cujos desmandos de alguns membros ousou denunciar. Nessa entrevista, ele conta um pouco de sua história. No fim, uma lição: ainda vale a pena exercer Jornalismo com ideal.

Jornalismo Paraibano: Onde começou sua carreira?

Minha paixão pelo Jornalismo teve início ainda na infância. Aos nove anos já escrevia crônicas para o suplemento DB Infantil do Diário da Borborema, que circulava aos sábados e era coordenado pela minha grande amiga, a jornalista Ruth Morais. Ia entregar meu material na redação e ficava vislumbrado com aquela grande sala cheia de máquinas de escrever, diagramação, fotografia e muita agitação. Aquilo era um mundo novo e apaixonante, que eu estava conhecendo.

Em 1989 entrei na Faculdade de Comunicação Social da UEPB. Estava realizando um sonho. Naquele período, havia o Jornal de Pauta, coordenado pelo professor Aécio Diniz e que circulava, semanalmente, no Diário da Borborema. Era uma loucura. Os estudantes participavam, faziam pautas. A faculdade tinha uma outra veia de produção.

Como não podia ficar de fora, entrei no Jornal de Pauta. Mas, entrei numa verdadeira confusão quando escrevi uma reportagem sobre o Alcorão, onde considerava o Islamismo uma “religião fanática”. Havia um senhor árabe, que vendia chapéus na “rodoviária velha”, que me fez sair correndo de sua loja com um guarda-chuva na mão. Passei por uma forte pressão da comunidade árabe na Paraíba. O DB e o Jornal de Pauta receberam uma extensa correspondência bilíngüe (em árabe e em português) do Centro Cultural Islâmico de Recife, praticamente pedindo minha cabeça.

Aécio me chamou urgente em sua sala na faculdade, pois ele era coordenador do curso, e disse que eu não mais iria fazer parte do Jornal de Pauta, devido às repercussões de minhas reportagens. Mas, que eu estivesse pronto para no outro dia ir fazer um teste no Diário da Borborema para ser repórter. Fui aprovado. Não esqueço nunca o dia em que fui pegar minha carteira de trabalho assinada. E seu Olinda (já falecido), chefe do RH dos Diários Associados, me falou: “A partir de agora, você faz parte da família Assis Chateaubriand”. Não pensei duas vezes: larguei o emprego de caixa do antigo Banorte, que havia conseguido graças ao esforço (e para decepção) de meu pai.

JP: Como chegou à editoria de policial?

Dizem que você nunca escolhe a área policial para atuar, mas é jogado nela. Comigo foi assim também. Em uma semana no DB, o editor me disse que eu estaria de plantão no domingo na área policial com o repórter Vanildo Silva, pois eu iria ficar em seu lugar durante as férias, mas depois retornaria para a reportagem de cidades ou mesmo esportes. Nunca mais saí da área policial.

No domingo, meu primeiro caso: um corpo de mulher encontrado na BR-230, saída para João Pessoa. Fui com Vanildo à UML e o cadáver estava lá, na mesa de necropsia, todo machucado. Gravei para o resto de minha vida aquele rosto; era uma menina morena e bonita.

Depois fui para a Central de Polícia e tinha um caso de desaparecimento, de uma moça com as mesmas características do corpo que vi no UML. Fui em sua residência, fiquei sabendo que ela havia saído com o namorado na noite anterior e não mais tinha retornado. Quando vi sua foto, pirei. Era ela. Não tivemos – nem eu e nem Vanildo – coragem de dizer à família. Fomos atrás do crime. Na segunda-feira o jornal circulou com a manchete da menina que tinha sido jogada do carro pelo namorado, por ter se negado a ir ao motel. Pela primeira vez, vibrei, junto com Vanildo, por termos conseguido desvendar um assassinato antes da própria polícia.

Na verdade, meu fascínio pela área policial começou na década de 80, quando via nas capas do DB as fotos dos cadáveres, vítimas do Esquadrão da Morte, o “Mão Branca”. Eu era criança, mas meus olhos brilhavam ao pegar o jornal, não pelos cadáveres em si, mas pela reportagem policial. Depois que comecei a atuar na profissão, tive contato com vários ex-policiais que conhecia pelos jornais daquela época, comecei a escrever um livro sobre o caso Mão Branca, mas parei. Pretendo um dia terminar. Tenho muito material a respeito.

Em novembro completo 17 anos como jornalista e nunca me afastei da área policial, uma verdadeira escola para qualquer estudante ou recém-formado em Comunicação. A área policial nos dá a verdadeira dimensão dos problemas sociais, da violência, da corrupção, da tortura, da ineficiência policial, dos interesses particulares na elucidação de um crime. A reportagem policial já foi considerada o “esgoto” do Jornalismo. Os preconceitos, até dos próprios colegas, existem, mas você nunca mais será o mesmo jornalista depois de atuar na área criminal.

JP: É comum repórteres que fazem a cobertura policial tornarem-se meros repetidores de boletins de ocorrência e da versão oficial dos fatos. Até o jargão da polícia acaba sendo, muitas vezes, absolvido e usado no dia a dia. Como fugir dessa tendência?

Esta é uma grande luta da reportagem policial. Inegavelmente, você assimila gírias policiais no seu vocabulário, mas nunca deve assimilar comportamentos. Repórter policial e policial são água e óleo. Muita vezes, o repórter pensa encontrar grandes amigos numa delegacia, mas isso é caso raro. Tenho muitos inimigos na área, mas também tenho amigos e sempre deixei claro para eles que no dia-a-dia profissional, devemos nos tratar como profissionais.

Já denunciei pessoas que achava que seriam meus amigos. Os que voltaram, provaram que eram. Os que se afastaram, nunca foram. Quando entrei na área policial, éramos considerados – jornalistas e policiais – farinha do mesmo saco. O tratamento era complicado: um tratava o outro com palavrões, brincadeiras de mal gosto, saiam juntos para beber, era um absurdo.

Certo dia, chamei o jornalista Alberto Macedo (um grande amigo, já falecido) e resolvemos mudar a situação. Nessa ocasião, eu já estava no Jornal da Paraíba, no lugar de Macedo que havia ido para o Correio. Conversamos eu, Macedo, José Cláudio, Clóvis de Melo, José Nilton, Jorge Lobato e Antonio Marcos. Todos repórteres policiais. Resolvemos mudar o comportamento dentro das delegacias. Passamos a exigir mais respeito e, a partir daí, a qualidade do noticiário policial em Campina melhorou muito.

Hoje, ainda temos colegas que fazem vista grossa diante de atrocidades policiais, seja por medo, por “amizade” ou qualquer outro tipo de relação. Mas, isso é um perigo. O feitiço pode virar contra o feiticeiro.

Outra coisa: não devemos nunca acreditar na primeira versão de um fato, ou seja, na versão oficial da polícia, no boletim de ocorrência. O BO deve, sim, servir como início de uma investigação jornalística. O repórter tem um leque de caminhos, de versões, de fatos envolvendo a mesma peça investigatória a serem seguidos. Há casos que a verdade nunca está na mesa de um delegado.

JP: Você fez graves denúncias na década de 90 contra policiais civis de Campina Grande. Fale um pouco sobre esses casos.

As denúncias envolveram não só policiais civis, mas militares e até federais. Há casos que nunca esqueci, pois me marcaram muito. Deixo claro que não existem “os casos mais importantes” que atuei, pois todos foram muito importantes. Existem, os que mais me marcaram, como um caso de tortura dentro do quartel do Corpo de Bombeiros; como vários casos de tortura, que presenciei nas celas e salas da Central de Polícia e os denunciei; casos como a “gangue dos incendiários”; a “máfia do UML”; a “máfia dos cartões de crédito”; a morte de Ana Paula, uma garota de quatro anos vítima de uma desastrosa operação da Polícia Civil, no bairro de Jeremias; a morte do agente Lourêdo; a “chacina da Ramadinha II”, envolvendo a complicada “Operação Bacurau” da PM; o uso da “margarida”, um objeto de tortura usado na Central de Polícia, que dava choques elétricos nos presos.

Nesse caso específico da “margarida”, eu vi um preso sendo torturado, denunciei e acabei sendo, eu próprio, acusado de ter ajudado na tortura. Inclusive, o Diário da Borborema trouxe matéria com essa versão. Mas, são ossos do ofício, que te obrigam a estar muito seguro do que vai escrever e denunciar na área policial.

Enfim, foram diversos casos que a imprensa denunciou e que marcaram a história da reportagem policial em nossa cidade. Agora, se você me perguntar como terminaram todas essas histórias, aí é uma outra coisa. Precisaria de mais tempo para contar como eles ocorreram e os erros e acertos da polícia em cada um deles.

JP: Você foi alvo de muitos processos judiciais. Recebeu apoio do jornal nesses momentos?

Teve ocasião que tinham 12 ou 14 representações criminais contra meu trabalho. O que acontecia? Denunciávamos determinado delegado, agente ou PM. A Superintendência de Polícia ou o Comando da Polícia Militar instaurava sindicância para apurar o que havíamos denunciado. Raras são as sindicâncias que terminam punindo o policial. A maioria inocentava; é o famoso “corporativismo”. Então, com o resultado em mãos, o acusado me denunciava por calúnia, injúria, difamação etc. Nunca foi condenado em nenhum caso.

Atualmente, ainda respondo inquérito na Polícia Federal promovido pelo ex-presidente da Câmara Federal, Inocêncio de Oliveira, por conta de uma reportagem que fiz com um agente da PF, que o acusou de plantar maconha. Vez por outra, a PF chega em minha porta para me intimar aqui em São Paulo. Aqui, também, fui representado por Paulo Maluf, por conta de um artigo que escrevi contra ele, mas tudo foi resolvido.

Nos casos de processos, sempre tive o apoio dos jornais. Bem ou mal, mas não me deixaram na mão, principalmente o Jornal da Paraíba. Algumas vezes fui ouvido sozinho no fórum, mas na minha retaguarda sempre tive os melhores advogados de Campina.

JP: Como foram as ameaças sofridas e os atentados?

Ameaças foram muitas. Por telefone, pessoalmente, por recados via amigos, no trânsito. Todas foram muito covardes. Pressionaram o máximo para que eu saísse da reportagem policial. Como não conseguiram, as ameaças se voltaram contra minha família e pessoas do meu convívio. Pressionavam meu pai e, por isso, discutíamos muito, pois diziam a ele que eu defendia bandidos. Ele se sentia fragilizado, tinha medo que acontecesse algo comigo e batíamos muito de frente por conta dessas pessoas, que infernizaram a minha vida e da minha família.

Meu pai dividia o seu escritório de advocacia com um coronel reformado da PM, que costumava dizer-lhe, conforme me contava: “Líbio (meu pai chamava-se José Líbio Farias), tenta segurar Gil, pois não estou conseguindo segurar os meninos”.

Sofri dois atentados. Um à bala, em frente ao Teatro Municipal, em um domingo à noite. Determinada tarde, um policial tentou sacar seu revólver para atirar em mim dentro da sala do delegado da Infância e da Juventude, um outro ameaçou me matar em um bar e foi contido pelos colegas. Sempre convivi com essas ameaças. Às vezes tinha medo da minha própria sombra. Dormia noite na casa da avó, noite na casa de um amigo, de uma tia... não tinha local certo para dormir.

Vi que a situação estava muito complicada pra mim depois do meu segundo atentado e depois que invadiram o prédio onde eu morava, no Centro, e entraram no apartamento errado. Quebraram quase tudo lá. Eu acompanhei, ouvindo os gritos da moradora e dos bandidos, sentado em minha cama, no escuro, com uma arma na mão. Depois, um policial que fazia parte do grupo e resolveu me revelar quem havia mandado me matar, entre outras coisas, acabou sendo assassinado.

Isso foi em janeiro e até o carnaval, que seria em fevereiro, ele disse que tinha uma lista de mortes. Eu era o primeiro da lista, depois tinha José Cláudio e os delegados Damião Marçal e Olímpio Oliveira, homens sérios da Polícia Civil. Depois que mataram esse cara, vi que a coisa estava brava.

Acionei o secretário de Segurança Pública, na época Pedro Adelson, e o jornal foi orientado para me dar férias até os fatos serem resolvidos. Acabei vindo para São Paulo passar um período e alguns agentes da Civil e PMs foram presos. Era um bando, que tentou aterrorizar Campina.

JP: Por que não parou, mudando de editoria?

Não cogitei, em nenhum momento, esta hipótese. Tive muito medo, mas não adiantava largar tudo naquele momento e nem o faria em momento algum. Tinha que continuar fazendo o meu trabalho. Se me matassem, creio que outros colegas dariam prosseguimento à minha luta. Seria burrice me matarem, pois não iriam resolver muita coisa.


JP: Quando foi embora do Estado? Se tivesse permanecido aqui, acredita que poderia ter sido assassinado?

Com toda certeza, tanto é que não mais voltei para Campina. Na época em que recebi férias do Jornal da Paraíba e vim para São Paulo, iria passar apenas o período em que as coisas se resolvessem. Mas, tudo ficou muito complicado. Um colega jornalista e um amigo policial ouviram, em ocasiões distintas, um delegado tramar minha morte ou armar um flagrante por drogas. Um menor infrator apreendido chegou a dizer que tinha sido contratado para me matar.

Vi que não tinha mais condições de ficar em Campina, se quisesse sobreviver. Voltei, entrei em acordo com o jornal, o superintendente, na época, Mozart Santos, foi muito correto comigo e me deu as contas. Desembarquei em São Paulo para morar no dia 8 de dezembro de 1997, trazendo na bagagem muita saudade e muita decepção por estar deixando minha cidade como se fosse um bandido, para não ser morto pela polícia.

JP: Com que freqüência você vem a Campina hoje? Ainda há receios?

Com menos freqüência do que eu gostaria de ir. Sempre amo retornar a Campina. Receios sempre existem. Todas às vezes que retorno, tenho algum tipo de problema. Em uma das visitas à casa de minha avó (já falecida), isso há três anos, saí de viatura da Polícia Civil, pois tinha um agente penitenciário bêbado, que me viu chegando, querendo me matar. O último problema foi em junho passado, no Parque do Povo, quando um grupo da PM ficou me encarando na barraca onde estava, causando mal estar em todo mundo.

Ainda hoje, quando viajo à Paraíba, minha mãe, que mora aqui em São Paulo, disse que fica rezando, não vendo a hora que eu retorne ao Sudeste. Ela tem muito medo quando estou em Campina.

JP: Pretende voltar a exercer o Jornalismo na cidade? No setor policial?

Pretendo voltar à minha cidade o mais rápido possível. Não quero morrer em São Paulo. Creio que retornando, os receios, as ameaças deverão parar. Mas, não estou preocupado com elas, sim com o jornalismo. Tenho projeto para Campina, que também me fará retornar à reportagem policial. Preciso alicerçar mais este projeto. Brevemente, devo estar retornando.

JP: Analisando hoje, vale a pena enfrentar tudo o que você passou por conta do Jornalismo?
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Sou apaixonado pelo jornalismo e foi isso que escolhi em minha vida. Meu primeiro vestibular foi para Fisioterapia, na UEPB, e Medicina, na UFPB. Não sei o que deu na minha cabeça para me inscrever nesses dois cursos. Graças a Deus, levei pau. No segundo, fiz Ciências Sociais e Jornalismo; passei nos dois. Abandonei o primeiro, na UFPB, depois de dois ou três semestres, para me dedicar integralmente ao jornalismo.

Nós jornalistas, somos porta-vozes da sociedade, temos uma profissão pública, que deve atender os interesses do povo. O jornalista se faz no dia-a-dia, em contato com esse povo. Eu faria tudo de novo e do mesmo jeito.
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LeNildo Ferreira
Gil Campos é colunista do portal iParaíba (www.iparaiba.com.br)

26/09/2006

Nota de esclarecimento

No tocante às últimas entrevistas publicadas nesse blog, deve-se esclarecer que:
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1. Aqueles que tiveram, de algum modo, seu nome citado, foram convidados a usar desse espaço para as devidas respostas. Até o presente, porém, preferiram não se manifestar. Entretanto, poderão fazê-lo, a qualquer tempo;
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2. O blog Jornalismo Paraibano não tem vínculos com qualquer ente externo, quer sejam entrevistados, quer sejam empresas jornalísticas. O responsável pelo blog é estudante do 3° ano da Faculdade de Jornalismo da UEPB. Caso venha a, em algum momento, adquirir vínculo empregatício com alguma empresa do setor, imediatamente se desligará do Jornalismo Paraibano, passando o canal para outrem que possa dar prosseguimento aos trabalhos;
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3. Não é objetivo do blog ofender, denegrir ou atacar ninguém, independente de quem seja. Aqui, todos serão tratados com a igualdade de expressão. Existe uma mentalidade vergonhosa, obsoleta e covarde no setor, de se procurar enquadrar o jornalista em um dos lados de qualquer tema abordado. Portanto, fique claro: NÃO ESTAMOS DO LADO DE NINGUÉM;
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4. Esperamos que haja maturidade por parte daqueles que fazem o Jornalismo nessa terra, patrões e empregados, possibilitando a abertura de um diálogo deveras franco, amplo e profundo, para que caminhemos rumo a um processo de crescimento do nosso Jornalismo. Caso contrário, permanecerá imutável a presente realidade, conhecida, lamentada e sofrida por todos.
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Campina Grande, PB - 26 de setembro de 2006
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Lenildo Ferreira

22/09/2006

Entrevista: Rômulo Azevedo

"Até hoje não sei por que fui demitido"
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Quando Rômulo Azevedo chegou à TV Paraíba, em dezembro de 1986, a emissora ainda nem estava no ar, o que aconteceria nos primeiros minutos do ano seguinte. Cerca de três meses depois, assumiria o cargo de editor-chefe, onde permaneceu por duas décadas, até que, em julho último, foi demitido. Por algumas horas esteve desempregado da televisão, sendo “apenas” o professor Rômulo, chefe do Departamento de Comunicação da UEPB. Mas, aos 53 anos, o jornalista já tem pela frente um novo desafio: dar vida a outra televisão. E continuar a escrever sua história de pioneiro do telejornalismo paraibano.

JORNALISMO PARAIBANO: A TV Paraíba é uma mera sucursal da Cabo Branco, como dizem alguns?

Em certo sentido, sim. No início as emissoras tinham donos diferentes. Depois, a TV Paraíba comprou a Cabo Branco. Isso não foi bom para a emissora de Campina, porque todas as decisões passaram a se concentrar na capital. Então começou a existir um certo desprezo – não sei se a palavra seria essa – pelo interior. Por exemplo, no JPB Primeira Edição e no Bom Dia, Paraíba, que são exibidos em rede, qualquer problema de estouro de tempo, a primeira ordem do editor é para cortar o material de Campina, mesmo que esse material tenha peso jornalístico.

JP: Se existe tal problema com Campina Grande, como ficam as outras cidades do interior nessa grade?

A TV Paraíba cobre 80% do território estadual, e tem um número de espectadores maior. Mas os 20% que a TV Cabo Branco cobre dão maior retorno financeiro, porque é uma área mais rica. Isso, em boa parte, faz com que os espectadores do interior fiquem prejudicados.

Isso ocorre porque, em primeiro lugar, os proprietários da televisão não têm origem nesse meio, são pessoas da indústria do café que um dia resolveram investir em comunicação, em televisão e jornal, mas não conhecem a atividade. Além disso, as duas emissoras são chefiadas por um carioca, um executivo competente, mas que desconhece completamente a nossa realidade. Então eles dirigem a televisão como se fosse um almoxarifado. O negócio é dar lucro. E o Jornalismo da TV também é dirigido por uma carioca (Ana Viana), que igualmente desconhece nossa realidade. Ela, inclusive, chegou a me dizer que o local mais longe que conhecia depois do Rio de Janeiro era Juiz de Fora, uma cidade que fica a 80 quilômetros do Rio. Essa pessoa dirige o Jornalismo das duas emissoras.

JP: Após a saída por motivos de doença de Erialdo Pereira, houve constantes mudanças no cargo editor regional das TVs Paraíba/Cabo Branco. Quanto isso afeta o trabalho nas emissoras?

No lugar do Erialdo entrou primeiramente o Luís Augusto Pires Batista, um paulista que entendeu a grandeza e o potencial de Campina Grande, e que por isso fez com que nós passássemos a ter participação no JPB Primeira Edição, assim como no Bom Dia, Paraíba. Foi uma administração muito benéfica para Campina, um dos raros momentos em que tivemos autonomia editorial. Mas, infelizmente, ele acabou sendo convocado para dirigir a Rede Amazônica e, em seu lugar, entrou o José Emanuel Torres, ex-editor da Globo Recife, que voltou com a mesma política de desvalorização do interior. Durou apenas quatro meses, devido a uma briga com o editor de João Pessoa, Sílvio Osias, e acabou demitido. Assim entrou a carioca Ana Viana.
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O problema é como já falei. Os donos da empresa não entendem de televisão. Então entregam o cargo a pessoas que, presumivelmente, entendem da coisa. É verdade que são profissionais que realmente têm entendimento de sua área, são competentes, mas não conhecem a Paraíba, e eu entendo que é preciso conhecer, pois como é que eu vou pautar uma matéria sobre um estado que desconheço totalmente? Como eu posso desprezar uma cidade como Campina Grande, a segunda do estado, que em muitos fatores compete com a capital? Aliás, uma cidade que ensinou a Paraíba a ver televisão, pois a primeira TV do estado é a TV Borborema, que entrou no ar em novembro de 1963, quando apenas mais de 23 anos depois João Pessoa teria sua emissora. Então, o que é que João Pessoa tem a nos ensinar sobre televisão? Nada. A coisa começou aqui.

JP: Como era o seu relacionamento cotidiano com a editoria-chefe da capital?

Era um relacionamento amistoso, por sermos colegas de trabalho, mas, ao mesmo tempo, conflituoso. Eu, todos os dias quando ia editar a primeira edição, pela manhã, precisava brigar, porque eles queriam tirar espaço de Campina Grande. Então eu brigava para que a cidade entrasse e com o destaque que merece. Por isso, toda a vez havia uma briga com algum editor de lá.

JP: Por que você foi demitido?

Até hoje eu não sei por que fui demitido. A explicação que o empresário Eduardo Carlos me deu foi que ia chegar uma concorrência pesada, com a instalação de novas emissoras em Campina Grande, e eles precisavam reforçar o quadro, por isso estavam me tirando da empresa. Eu não entendi.

JP: Então você está profissionalmente obsoleto? Era um ponto fraco na empresa?

Quando saí de lá o jornal que eu dirigia estava dando 75 pontos no Ibope, o que quer dizer que, de cada 100 televisores ligados, 75 estavam vendo o JPB. Então, critério de incompetência não foi, porque esse é um índice difícil de se conseguir, mesmo na Globo.

O fato é que nesse episódio só tive uma decepção. Na quarta-feira, 19 de julho, fui chamado à TV Paraíba pela manhã. Não sabia do que se tratava. Ao chegar, encontrei a editora regional, Ana Viana, e o Eduardo Carlos. Houve uma reunião, onde o Eduardo me fez vários elogios, disse que meu trabalho era inestimável, que todos reconheciam que eu havia montado a estrutura de jornalismo da emissora, contribuindo também com a TV Cabo Branco e o Jornal da Paraíba... Mas, infelizmente, eu teria que ser demitido. Até aí, tudo bem, isso é coisa de empresa, um fato normal. A decepção maior foi o seguinte: O Eduardo me falou: “Rômulo, fique tranqüilo. Pela contribuição que você nos deu, vamos lhe oferecer uma indenização diferenciada, não apenas o que é de direito pela Lei, mas um valor que vamos acrescentar, assim como fizemos com o Erialdo Pereira. Façamos o seguinte: Você vai pensar nesse valor, de quanto acredita que deveria ser e, segunda-feira, vá na Cabo Branco para discutirmos essa compensação”. Na reunião com o grupo de jornalistas da TV Paraíba, quando foi anunciada minha demissão, ele reafirmou esse compromisso. Mas, no dia marcado, fui até João Pessoa e, quando cheguei lá, o Eduardo falou um tempão, não me deixou falar nada, e depois completou: “Você vai receber a quantia que a Lei estabelece e a empresa pode lhe dar um vale de R$ 6 mil para que compre um carro usado na loja do nosso grupo”.

É lógico que eu não aceitei. Achei uma afronta, uma indelicadeza, uma falta de respeito, ainda mais para com uma pessoa que passou 20 anos trabalhando vários sábados, domingos e feriados, sem nunca cobrar uma hora-extra. Quantas madrugadas não varei, em tempos de eleição, para editar material que iria ao ar no Bom Dia, Paraíba? Mas isso não foi reconhecido. Na verdade, fui enganado.
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JP: Quais suas perspectivas para o futuro da TV Paraíba, agora com Carlos Siqueira como editor-chefe?
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Antes de mais nada eu desejo boa sorte para todos eles porque, nos últimos 27 anos, quem se formou em Jornalismo em Campina Grande, foi aluno de Rômulo Azevedo. O Carlos Siqueira é um ex-aluno meu, um ex-comandado meu, e espero que ele tenha sucesso nessa missão, que não é fácil. Agora, quanto ao futuro da TV Paraíba eu já não sei, pois, com a concorrência que está chegando (TV Itararé e TV Piemont), ou a emissora dá a assistência que Campina Grande merece, ou ela vai perder audiência.
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JP: E Como está o seu futuro na televisão?

Quero agradecer ao empresário e médico Dalton Gadelha, pois no dia em que saí da TV Paraíba fui convidado por ele para uma conversa onde, no fim, assumi a direção de programação TV Itararé (Canal 19), que entrará no ar nos próximos dias. Na verdade, eu pretendia dar um tempo da televisão, que é um trabalho muito árduo, mas sempre tive um sonho de fazer uma televisão educativa, diferenciada. Já levei o Polion para lá, vamos lançar um jornal, o Itararé Notícias. Mais uma vez vou dar minha modesta contribuição na implantação de uma emissora de TV. E espero que tenha longa vida.
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LeNildo Ferreira
(Agradecimentos ao grande professor Fernando Milanni pelas fotos)

16/09/2006

Morib responde comentários

Em tom cordial, o jornalista Morib Macedo respondeu, na seção de comentários, as afirmações de alguns internautas sobre suas declarações quanto à liberdade de trabalho no Sistema Correio, em entrevista publicada no dia 07 de setembro deste ano. Abaixo, segue na íntegra a reprodução do comentário.
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"Caros amigos. Fico sinceramente feliz pelas repercussões, afinal se houve desdobramentos, positivos ou não, o fato é que minhas humildes palavras trouxeram alguma novidade e conteúdo. No entanto, acho que não fui fielmente interpretado sobre a linha editorial do veículo. Em nenhum instante, eu disse que os nossos jornais paraibanos sao imparciais. Até porque, a maturidade profissional vai ensinar a vocês que imparcialidade tem um conceito muito mais abstrato do que a gente imagina. Apesar disso, todos nós leitores estamos carecas de saber que infelizmente, nossos veículos impressos, há alguns anos vêm vestindo as camisas dos grupos políticos. Isso é incontestável. Mas o que disse é que no nosso caso( enquanto equipe de TV)nunca tivemos a atividade jornalística tolhida por alguma ordem superior. Temos liberdade sim, pois até então no nosso caso, repito, nunca se provou o contrário. Um abraço a todos e espero que não me entendam mal, hein!!!"
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Atenc. Morib Macedo

14/09/2006

Entrevista: POLION ARAÚJO

“Fui um empregado do grupo e sempre tive a consciência de que um dia teria de ser demitido ou pedir demissão”
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Durante 15 anos Polion Araújo esteve na bancada do JPB 2ª Edição. Com seu aspecto tranqüilo, sorriso simpático, tornou-se uma figura conhecida e respeitada em toda a cidade. Nada mais natural, portanto, que a surpresa geral provocada por sua saída. Mas o próprio Polion não se diz surpreso. Humilde e sereno, entende que esse é um fato natural na realidade de uma empresa: um dia a relação tem que acabar. Aos 38 anos, cursando Gestão de Negócios, e atuando na área de publicidade e marketing, além de trabalhar na Radio Cidade AM, o radialista conversa francamente sobre as recentes mudanças na TV Paraíba, inclusive a saída do editor-chefe Rômulo Azevedo.
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Jornalismo Paraibano: Você sempre conciliou o trabalho na TV e no rádio. São duas paixões?
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A comunicação em si é uma paixão, pois é uma área, uma ciência onde todos os profissionais deveriam ter um mínimo de conhecimento para poder se destacar na sua área de atuação, seja ela qual for, engenharia, medicina, psicologia, enfim, é preciso comunicação para poder dar uma entrevista, saber se relacionar melhor com o seu publico interno e externo, apresentar melhor o seu trabalho ao mundo.
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JP: Quando você começou a trabalhar na TV Paraíba? Como foi esse início?
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Bem, comecei a trabalhar em comunicação no Rádio, na Campina Grande FM, estagiando em 1986/87, com ‘seu’ Hilton Mota. Depois do estágio, acabei sendo contratado pela Radio Correio FM, onde permaneci por quase 3 anos e na TV Paraíba comecei em maio de 1988 e fui contratado 4 meses depois como repórter de rua. Na época estava à frente do jornalismo da TV Erialdo Pereira, em João Pessoa e, em Campina Grande, Levi Soares, Cidoval Morais e Rômulo Azevedo, uma turma muito boa, conhecedora do jornalismo sério e que ensinava o jornalismo a gente na prática. Depois passei a apresentar o JPB 2º Edição, cargo que exerci durante os últimos 15 anos.
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JP: Desde quando se percebeu que haveria mudanças drásticas na TV Paraíba?
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Não considero mudanças drásticas. Pra mim foi um processo natural e deve ser encarado assim por todos. O que ocorreu na realidade foi uma mudança na cultura interna da empresa, decidida pela cúpula e que deve ser absolvida da melhor forma pelo grupo como um todo. Não entrou ninguém de fora da equipe, apenas pessoas, mudaram de função e outras foram promovidas e outras demitidas, o que é normal numa empresa.
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A TV Paraíba, desde o afastamento de Erialdo Pereira por problemas de saúde, passou a ter uma rotatividade muito grande no cargo de editor regional e isso não foi bom nem pro jornalismo da empresa, nem para maioria da equipe, uns sentiram dificuldades e um outro viu a oportunidade de crescer na empresa e aproveitou essa chance, passando por cima de uns e puxando o tapete de outros, o que também é natural, toda empresa tem gente desse tipo. Aquela velha máxima: Quer conhecer realmente uma pessoa, coloque em suas mãos poder e/ou dinheiro. Foi o que aconteceu.
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JP: Como a saída de Rômulo Azevedo foi recebida na empresa, e por você em particular?
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Para a equipe de Campina Grande foi uma surpresa, muita gente chorou durante o comunicado, lamentando o afastamento de Rômulo que sempre foi um cara muito leal e correto com todo mundo que trabalhava com ele. Acho que o mal dele foi sempre ser sincero demais em suas opiniões e nem todo mundo gosta de receber criticas ou ser chamado atenção quando o trabalho não está bom e isso Rômulo sempre fez, comigo e com todos que trabalhavam com ele, esse era o seu papel.
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A questão é que algumas pessoas não entendem que o fato delas aparecerem na televisão todo dia, com um espaço e um microfone na mão, não as transformam em imortais nem em palmatória do mundo, somos na realidade pessoas comuns, realizando uma prestação de serviço ao público, não estamos acima do bem e do mal. Erramos e acertamos como qualquer pessoa, somos trabalhadores, empregados e quando chegar o momento todos serão demitidos também, o que é normal.A saída de Rômulo pra mim, assim como a minha saída, sempre foi uma coisa previsível, e quem conhece a gente de perto sabia disso, pra mim não foi nenhuma surpresa.
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JP: Rômulo estava profissionalmente obsoleto?
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De forma alguma. Jornalista que é jornalista jamais fica obsoleto, ele é como vinho, fica melhor. E Rômulo Azevedo é uma safra especial. É um cara que ensinou e ensina jornalismo a todos os que estão no mercado atualmente e os que passaram pela UEPB. Ele tem uma formação muito ampla, é formado em Direito, estudou anos no Rio de Janeiro e tem uma visão de mundo muito abrangente, lê muito e de tudo. E isso é dele e que só quem convive com ele tem o prazer de ter essas descobertas a cada dia como colega de trabalho e como amigo.
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Obsoletos talvez estejam os dirigentes da TV Paraíba em dispensar um profissional da categoria de Rômulo. Os proprietários da TV Paraíba são oriundos da indústria do café e administrar uma emissora é diferente, você não lida com operários, que realizam tarefas repetitivas, lida com pessoas formadoras de opinião, com conhecimento, inteligência e cultura, e isso Rômulo Azevedo tem de sobra e ninguém, só Deus pode tomar dele.
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JP: A partir de que momento você percebeu que também seria demitido?
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Sempre fui um empregado do grupo e sempre tive a consciência de que um dia teria de ser demitido ou pedir demissão, como todos que estão lá agora, ou em qualquer outra empresa um dia também irão passar pelo mesmo processo.
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JP: Por que você foi demitido?
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Como você mesmo falou quando contactou comigo “...cresci te vendo na bancada do JPB”, eu cresci fazendo o JPB, foram 18 anos seguidos, entrei lá aos 19 anos de idade, saindo da adolescência, o tempo passa, a gente amadurece e chega um momento em que a relação empresa x colaborador vai se desgastando. Acho que eu e TV cumprimos a nossa missão um para o outro.
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JP: Essa política de demissões vai levar a um crescimento da qualidade do jornalismo da TV Paraíba, ou seriam mais efetivos investimentos em equipamentos e contratação de novos profissionais?
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A TV tem uma excelente equipe de profissionais. É preciso investir em conhecimento, mandar essa turma aprender mais lá fora, fazer cursos, conhecer o mundo, obviamente é preciso o esforço individual de cada colaborador, mas é preciso que a empresa estimule o pessoal oferecendo cursos, pagando melhores salários e oportunidades de crescimento. Fazendo isso a qualidade é uma conseqüência, é o retorno do investimento. Belos edifícios e equipamentos qualquer empresário com dinheiro consegue, mas o maior patrimônio da empresa é o seu pessoal.
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JP: A TV Paraíba nasceu antes da TV Cabo Branco. Mas, segundo pessoas do meio, a televisão campinense tornou-se uma espécie de mera sucursal de João Pessoa. Qual sua avaliação sobre isso?
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É uma meia verdade. Mas, acredito muito em Campina Grande e não podemos ter como parâmetro as ações dessa ou daquela TV para generalizar um seguimento empresarial e profissional, acho que só o tempo poderá revelar a verdade e quem está com a razão. A televisão aqui foi pioneira e o povo daqui tem uma força, é um povo guerreiro, morre lutando. Campina Grande tem o que a gente chama de carisma, em tudo.

JP: Além do rádio, qual o seu futuro profissional?
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Estou concluindo Gestão de Negócios no próximo ano, pretendo fazer um MBA fora, passar um tempo fora do país aprimorando meu inglês e estudando, manter minhas atividades empresariais aqui, enfim, planos não faltam. Sou uma pessoa que acredita muito em Deus e coloco-o a frente de tudo que faço e peço sempre que a vontade dele seja cumprida, no seu tempo, no seu momento.
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LeNildo Ferreira

07/09/2006

ENTREVISTA COM MORIB MACEDO

"Procuro dissociar o jornalista do
profissional de marketing eleitoral"
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Na última terça-feira, publicamos texto sobre a participação de jornalistas em campanhas eleitorais. A respeito desse polêmico tema, o blog JP entrevistou Morib Macedo. O jornalista, 31 anos, formado na UEPB, atualmente trabalha na TV Correio e, nessas eleições, presta serviços à agência que dirige a campanha de um dos candidatos ao Governo do Estado. Na entrevista, Morib falou também sobre a orientação do Sistema Correio em relação à política.

JORNALISMO PARAIBANO: Você trabalha na TV Correio. Houve alguma oposição quanto a trabalhar na campanha eleitoral?
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MORIB MACEDO: Essa é uma pergunta bem pertinente e freqüente em todos os ambientes por onde passo. De fato, é natural que o grande público estranhe o fato de um jornalista do Sistema Correio trabalhar numa campanha de seu principal opositor (pelo menos em tese).
Na verdade, desde o meu ingresso no sistema, tenho tido um tratamento super humano e respeitoso por parte da sua direção. Em nenhum instante foi dito a mim, ou a qualquer integrante da emissora, que não exerce necessariamente o gênero opinativo, que tínhamos que falar bem ou mal sobre determinado grupo político.
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Sempre que alguém é contratado, o que se pede é um trabalho sério e voltado para a comunidade. De forma que temos liberdade de fazer matérias "contra" o governo federal, estadual ou municipal, desde que seja em favor dos interesses comunitários.
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Sobre a liberação, mais uma vez eles foram muito cordiais comigo. Deram-me uma licença de 60 dias e me deixaram por demais lisonjeado ao afirmarem que não seria uma campanha eleitoral que me tiraria da casa. Enfim, atitudes como essa, deixam-me extremamente feliz, pois acho que é assim que se deve tratar um profissional de comunicação quando ele recebe oportunidades raras de se ganhar uma boa grana.
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JP: Você acha possível conciliar a prática do Jornalismo com a prestação de serviços que envolvam política partidária?
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É bastante difícil, sim. Sobretudo em um estado pequeno e numa cidade demasiadamente apaixonada (por política e futebol). As pessoas raramente compreendem as diferenças entre essas funções. Como eu priorizei outras nuances em minha área, achei por bem embarcar no marketing eleitoral desde 2002. Vivenciei momentos distintos em outros estados como Pernambuco e Rio Grande do Norte. Lá, onde não sou conhecido, fiz programas estaduais e depois campanhas municipais.
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Já em Campina, no segundo turno das eleições 2004, já havia feito campanha com a Mix, daí o convite renovado agora pra 2006. Os compromissos familiares também me fizeram rejeitar as possibilidades de ir para outros estados, preferindo ficar na terrinha, mesmo enfrentando o preconceito de algumas pessoas. Voltando ao tema central, procuro dissociar bem o jornalista do profissional de marketing eleitoral.
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No meu programa de rádio nunca deixei transparecer minhas preferências políticas, religiosas ou futebolísticas, embora ache que, enquanto cidadão, todo jornalista deve ter esse direito, desde que não influencie erroneamente no seu trabalho.
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JP: Tal relação não compromete a ética jornalística? No tocante à credibilidade, uma das mais importantes qualidades do jornalista, esse tipo de relação não acaba também por comprometê-la?
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Depende do profissional. Muitos aqui chegam a misturar as coisas com o exercício de uma simples assessoria política, imagina com o marketing eleitoral! Mas há casos e casos. É preciso sempre separar as situações na hora de produzir matérias no cotidiano jornalístico. Essa, certamente, não é uma tarefa fácil.
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JP: Passadas as eleições, caso fosse pautado a fazer uma matéria que de alguma forma atingisse o candidato em cuja campanha atual você trabalha, haveria como fazê-lo sem quaisquer constrangimentos?
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No meu caso, faria tranquilamente, pois os próprios líderes políticos, sábios que são, devem ter a capacidade de discernir que Jornalismo é uma coisa, assessoria e marketing são outras, bem distintas.
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JP: Qual o seu limite, ou seja, o que você não se dispõe a fazer nesse tipo de atividade?
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Dar depoimentos de cunho particular, opiniões próprias. Aqueles em que um artista ou personalidade declara suas predileções, por exemplo. Agora, mostrar obras em matérias respaldadas também por falas da comunidade, isso faço numa boa, sem constrangimentos.
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JP: A realidade salarial do jornalista paraibano é a principal responsável pela ida desse profissional para o campo de trabalho publicitário, tanto político como comercial? Foi esse seu caso?
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Não necessariamente. Claro que a nossa realidade salarial é uma das piores do País, no entanto as propostas para o marketing político são sempre atraentes e irrecusáveis em qualquer parte do Brasil. Quanto aos salários, acho que vivo bem com eles, graças a Deus. Isso porque exerço diversas atividades para ter uma renda razoável. Já as campanhas se tratam de trabalhos sazonais e bem rentáveis, por isso, do ponto de vista pessoal, acho interessante não perder chances como essa. O legal é não depender só desses momentos da história política.
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LeNildo Ferreira

05/09/2006

JORNALISTAS TRABALHANDO EM CAMPANHA ELEITORAL REABREM DISCUSSÃO SOBRE ÉTICA E REALIDADE

No guia eleitoral desse ano, mais uma vez, assistimos vários colegas jornalistas fazendo apresentação e “reportagens” para candidatos. Esse fato, uma vez proposto para discussão em qualquer ambiente de jornalistas ou estudantes de Jornalismo, acaba inevitavelmente por provocar uma enorme discussão.
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As grandes empresas do ramo do Jornalismo proíbem terminantemente seus profissionais de qualquer participação em campanhas publicitárias, inclusive políticas. A justificativa é de que tais envolvimentos são prejudiciais à credibilidade jornalística. Justificativa sensata.
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Uma breve análise ética aponta, de fato, uma série de problemas oriundos da relação entre Jornalismo e publicidade. Quando se trata de política, então, essa problemática tende a se agravar, por motivos lógicos. Não é preciso muita ponderação para se concluir que, idealmente, o jornalista deve evitar esse tipo de serviço.
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Entretanto, se é fácil estabelecermos um padrão ideal para esse tema, o mesmo não se dá quando confrontamos tal análise com a realidade. Jornalista também tem família, tem contas a pagar no fim do mês. É a ética da barriga, segundo definição do professor Luís Aguiar, coordenador da Faculdade de Comunicação Social da UEPB.
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Na Paraíba, como em grande parte do Brasil, essa é uma profissão que remunera mal. O sujeito precisa, muitas vezes, se desdobrar entre o jornal impresso, o rádio e a televisão, para enfim ter alguma dignidade financeira. E isso sem falar da desleal e imoral concorrência com radialistas formados em cursos de fim de semana. Assim, se é fácil para jornalistas globais com salários de dezenas de milhares de reais cumprir essa faceta ética, não se pode dizer o mesmo aqui nas terras paraibanas.
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Seja como for, essa é uma discussão importante, que precisa ser trazida à pauta, mesmo porque conduz a uma série de outros temas. Para que nossos profissionais possam ser melhor remunerados e, assim, não precisem se ver ante tais dilemas, o Jornalismo paraibano precisa crescer mas, para tanto, tem que encontrar saídas que o possibilitem desvencilhar-se da dependência política que tanto o oprime.
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Enquanto as coisas não mudam, porém, cada um age conforme designa a própria consciência. E, no dilema entre o ideal e o real, vive seu próprio “ser ou não ser”.
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LeNildo Ferreira
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PS: Sobre esse tema, será publicada na próxima quinta-feira, entrevista com Morib Macedo.